terça-feira, 29 de abril de 2008

O Justiceiro de Bigode Espiral

fonte da imagem http://fatimando.blogspot.com


Gostaria de lhe contar um fato interessante que me ocorreu no ano de 2005, em uma de minhas tantas viagens pelo Brasil. Na ocasião, encontrei um bar de beira de estrada, ao melhor estilo dos que sempre gostei. Ficava numa Rodovia seguindo para o interior da Bahia, numa cidade chamada Araral ou Açudeiro – não sei bem, tenho dificuldade em guardar nomes. O bar, visto de fora, logo receberia de um viajante mais caprichoso a alcunha de boteco, pelo seu tamanho inferior e aparência rudimentar. Contudo, ao adentrar-se, qualquer freguês mudaria de opinião e logo se sentiria, no mínimo, num mini-restaurante, motivo: ambiente limpo e decorado; música antiga tocando (no momento que entrei, era uma das clássicas de Milionário e José Rico); e, por fim, um maravilhoso cheiro de comida caseira temperando o ar. Foi nesse ambiente agradável que conheci o incrível John Stephen Highway. Relato, agora, como aconteceu.

***

Dentro do recinto, fui recebido por uma mulher forte, obesa, que, apesar de muitíssimo negra, tinha todos trejeitos de uma velha mama italiana. Diante da peculiar senhora (para todos efeitos, Dona Mama, já que o nome verdadeiro não importa aqui, e também não lembro), a primeira idéia que me veio foi de transportar todo aquele cenário para algum capítulo de meu próximo romance, O sol da meia-noite. Porém, logo em seguida, mudei de opinião: Dona Mama, com sua fala carrancuda perguntando-me o que eu queria, mostrou-se daquelas que costumam chamar de baiana arretada. Não era o tipo de personagem que eu desejava para minha história e, sem ela, o resto do cenário não fazia sentido. Enfim, resolvi esquecer o romance e apenas fazer o planejado: beber.

Atrás de uma das mesas, vi um homem: quarenta anos na aparência, chapéu de cowboy, terno e gravata, sapato branco, e, o mais evidente, um imponente bigode à moda de Salvador Dalí. Em seu colo, repousava uma maleta de executivo. Na mesa, uma garrafa de cerveja vazia. Fregueses, éramos só eu e ele. Não demorou para o convite surgir:

- Me acompanha em mais uma, amigo? – perguntou, mexendo o bigode e apontando para a garrafa.

- E por que não? – falei, enquanto levantava e ia juntar-me a ele. Percebi que Dona Mama me acompanhava com seu olhar severo. Logo que sentei, ela chegou com uma nova garrafa e um copo.

- Sua graça? – perguntou o homem, estendendo-me a mão.

- Pode me chamar de Filipo – respondi, dando o nome de um de meus personagens (não gosto de falar meu nome verdadeiro a estranhos).

- Sou John Stephen Highway – falou, ao mesmo tempo em que apertava minha mão com firmeza. E, apesar de eu não guardar nomes, lembro-me muito bem desse pelo tipo singular que o possuía.

Enchemos os copos e começamos um diálogo agradável sobre viagens, terras distantes, cultura, política. Em certa altura, John começou falar de coisas pessoais. Quando perguntei o que fazia, respondeu com uma considerável listagem:

- Sou sindicalista, poeta, carpinteiro, pescador, político, mecânico, químico, músico, professor, agricultor, padre, artista, vendedor, cozinheiro, justiceiro, vaqueiro, escritor, pedreiro, curandeiro e motorista. Sabe, rapaz, a gente precisa se virar para sobreviver...

- Mas, até padre?! Como você pode ser padre e todo o restante junto? – indaguei espantado.

- Primeira coisa, meu amigo: uma vez que você receba o sacramento da ordenação, vai ser padre para o resto da vida, mesmo que não exerça mais o sacerdócio. Segunda coisa: eu não disse que faço tudo ao mesmo tempo, disse só o que sou, o que sei fazer. Mas, o exercício da função vai conforme a necessidade...

- Está certo. Mas, ali no meio, você disse que é escritor, não? – dei uma longa golada na cerveja – Pois, saiba que essa é minha profissão! – falei, com orgulho.

- É mesmo, Filipo? Bem que eu achei que você tinha nome de personagem literário. Rapaz, as duas maiores paixões da minha vida são a Literatura e a Religião. Não a literatura que tem por aí, mas a minha literatura! Não uma religião qualquer, mas a minha religião. Acredito que a melhor literatura e religião são aquelas que o próprio indivíduo faz.

- É uma concepção interessante... – foi a única coisa que consegui dizer.

- Mesmo assim, aprecio muito do que há na Literatura e Religião dos outros. Em especial, admiro duas obras que considero como o prazer e o mistério da minha vida: uma é o Evangelho de São Lucas, outra é O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon.

- Acho isso interessante. Também tenho admiração por muitas obras em particular. Mas, no seu caso, por que essas?

- Elas me acompanharam desde a infância. Com a singularidade que possuem, enraizaram em mim a vontade de também ser escritor. Digo “também” porque tive muitas outras vontades, como você deve ter notado. Entretanto, todas, realmente, foram vontades próprias. Nunca fiz algo por obrigação.

- E, como escritor, já publicou algum livro?

- Apesar de não me preocupar muito com isso, tenho alguns publicados por aí. Meu primeiro livro, o que mais vendeu até hoje, é uma releitura de O Menino do Dedo Verde em versão regional sertaneja, chama-se A Menina do Pé Vermelho, de 1990. Na época, dizia-se que eu era uma grande revelação, um novo gênio literário. Cheguei a dividir capa de jornal com a Copa do Mundo daquele ano! Bom, depois desse, publiquei Um estudo sobre o Evangelho de São Lucas, em 1991, que fala sobre as várias significações que o texto assume nas diversas versões da bíblia. No ano seguinte, escrevi minha biografia, O Menino e o Evangelho. E dois anos mais tarde, publiquei o ensaio As 10 obras literárias mais completas da humanidade. Sobre este, um crítico paulistano chamado Milton Alvarenga Hatzgh escreveu uma resenha dizendo que eu só sabia falar sobre o Evangelho e o livro de Druon, e que eu era, no mínimo, ingênuo ao classificar esses dois livros acima de obras consagradas como Ulisses e Os Lusíadas. Depois disso, nem A Menina do Pé Vermelho vendia mais. Então, decidi parar de publicar até que tivesse criado a obra perfeita, que entendo ser a junção da linguagem simples e poética de O Menino do Dedo Verde com a firmeza da linguagem espiritual e direta do Evangelho de São Lucas.

- Parece-me uma empreitada e tanto! – falei, com uma mistura de espanto e admiração – Não é comum encontrarmos por aí alguém que se dedique tanto a alguma obra específica. Estou impressionado com sua determinação.

- É, meu amigo Filipo... Já se vai uma década nesta empreitada. Escute bem: só para descobrir o elo de ligação entre as duas obras, levei oito anos. Oito anos! Mas, foram compensados. Quando eu descobri o mistério que as unia, não pude acreditar. Só que as evidências eram muitas, tive que ceder e aceitar a descoberta – parou, aparentemente de propósito, para apreciar a cerveja e aguçar minha curiosidade.

- E que segredo tão revelador foi esse? – indaguei.

John, num gesto suave, colocou o copo sobre a mesa, girou o olhar pelo ambiente, curvou seu corpo em minha direção e usou o chapéu como escudo dos olhares de Dona Mama. Disse baixinho:

- Éter.

Respondi com o mesmo tom e uma careta quase de nojo:

- Éter?

- Sim, senhor. Éter.

- Éter, éter? Desses compostos químicos?

- Éter, éter. Desses compostos químicos. Na verdade – voltou à posição e ao tom de voz anterior – a substância não era exatamente essa, mas, do que temos hoje, éter é o que mais se aproxima daquilo que São Lucas usava para escrever.

- Que São Lucas usava para escrever?! Como assim?

- Veja bem, Filipo... Posso até lhe contar a história, mas com a condição de que não me interrompa com suas perguntas e caretas. E também que respeite meu pensamento e entenda que tudo o que fiz foi pela minha paixão, com o único intento de criar minha obra perfeita. Saiba que já contei a alguns e fui retribuído com indignação, piadas, blasfêmias ou indiferença. Nem por isso deixo de contar, pois acredito que todo ser humano tem direito a todo conhecimento. Também não me peça provas concretas: as únicas que tenho são minha honra e lucidez. Aceita as condições?

Mostrei-lhe um singelo sorriso antes de responder:

- Também sou escritor, caro John Stephen Highway. Tenho minhas paixões. Uma delas é escrever, outra, é escutar histórias. Com prazer, ponho-me a ouvir a sua. Aceito as condições.

***

Acredito ser relevante informar que não tenho condições de transcrever o depoimento verídico, palavra por palavra, tendo-se em vista que já se passaram três anos desde então. Seria injusto de minha parte afirmar o contrário. Vou ser o mais fiel que minha memória permitir. Mas, isso não tirará a credibilidade da história de John, pois o que havia de mais importante, lembro perfeitamente.

***

Enquanto eu olhava atento o peculiar bigode de pontas espirais, John começou seu relato.

Quando decidi criar o livro perfeito, passei a recolher toda informação que encontrava sobre minhas duas preciosidades: O Evangelho de São Lucas e O Menino do Dedo Verde. Tudo referente às duas publicações me importava: livros, matérias, artigos de jornais, textos de internet, depoimentos, documentos históricos, críticas, resenhas, filmes, tudo, tudo.

Essas pesquisas me levaram por muitos caminhos, todos ricos em informações, mas nenhum respondia aquilo que mais me intrigava: O que havia em comum nas duas obras que tanto me cativava?

Após cinco anos de estudos, descobri dados inimagináveis sobre a vida de Maurice Druon. Acho que não cabe, aqui, falar de todos eles. Vou citar apenas um, que é o que nos interessa – em sua juventude, Druon era viciado em éter. Descobri isso num pequeno jornal de circulação interna da faculdade onde ele estudava. Havia um laboratório químico onde o escritor trabalhou por um curto período de tempo. Foi ali que conheceu a substância química. Além disso, eu também soube de alguns casos abafados posteriormente, demonstrando que Druon ainda usava a substância. Ao que tudo indica, ele era o tipo de autor que gostava de entorpecer a mente ao escrever. Para isso, usava o éter. Até fiquei sabendo de uma rincha que ele teve com um tal de Philiph Carter, um autor concorrente, mas menos famoso. Carter tentou trazer à tona a dependência de Druon, mas só o que conseguiu foi destruir sua própria carreira sendo chamado de caluniador: armaram uma dizendo que ele forjou o tal jornal universitário. Lógico que fui atrás para apurar os fatos – o tal jornal sempre foi verdadeiro.

Quando descobri essa história do éter, não fiquei impressionado. Afinal, quantos autores não usam dessa mesma estratégia para escrever? Só depois de três anos é que fui dar importância ao fato. Só quando descobri que Lucas, para escrever seu evangelho, usava do mesmo artifício. Como você pode imaginar, qualquer informação mais consistente (e verdadeira) sobre religião é bem mais difícil de se conseguir. Não à toa, demorei oito anos para saber o segredo de São Lucas. Mas, não se esqueça do que falei anteriormente: o que Lucas usava não era exatamente éter, contudo, na época, já havia algo bem parecido. Tive acesso a um livro raro de um historiador judeu, Hanab Amzalag, que explica isso e chama o composto de tzippor - nome judaico que quer dizer pássaro. A idéia era que, quando se estava sob seus efeitos, a mente voava livre como um pássaro. Não sei se você sabe, mas Lucas era médico, e ele usava o tzippor em seus tratamentos, já que, além de ser entorpecente, a substância também era anestésica... Exatamente como o éter! Por isso que o Evangelho de Lucas é tão singular, foi escrito por um médico que usava relaxantes mentais para escrever – a precisão da língua junto à liberdade inspiradora. Perfeito! Amzalag justificava suas conclusões fazendo referências a antigos papiros existentes no Vaticano. Devo admitir que essa obra me incitou muito, contudo, precisava comprovar as informações. De alguma forma, eu tinha que ir à biblioteca do Vaticano.

Não convém citar os nomes dos seminaristas, diáconos, padres, bispos e cardeais que tive que me tornar amigo e trocar favores para conseguir chegar à biblioteca. Foi uma tarefa demorada, porém, não tão difícil como alguém possa pensar. Nunca fui retraído quanto a sexo. Assim, os favores foram meras formalidades que até me trouxeram certo prazer. Enfim, na biblioteca do Vaticano, pude ter acesso a documentos raríssimos, livros que eu nem imaginava existir e, também, os tais dos papiros. Até encontrei alguns exemplares do livro do Hanab Amzalag.

As informações eram verdadeiras. E como muitas outras verdades, trancadas ali para não arriscarem o poder da igreja. Você deve saber que muitos dos livros bíblicos não foram escritos por um único autor, e os evangelhos não são diferentes. Entretanto, o Evangelho de São Lucas teve sua maior parte escrita por ele próprio. Sendo assim, a influência do tzippor foi decisiva na composição da obra. Foi em um conjunto de pergaminhos datados do século II, tendo como assinatura apenas um símbolo usado pelos primeiros cristãos, que encontrei: tanto Lucas como vários outros cristãos usavam algum tipo de entorpecente. Na verdade, eles acreditavam que o estado eufórico e relaxante alcançado era um facilitador para o contato com Deus. Lucas usava o tzippor para estar mais próximo de Deus e suas palavras serem as palavras Dele. Não é por menos que, até hoje, o vinho usado nas celebrações eucarísticas possui alto teor alcoólico. Isso vem desde os primeiros cristãos.

Pois bem, meu amigo, depois de anos relendo e estudando O Menino do Dedo Verde e o Evangelho de São Lucas, tentando encontrar o que unia essas duas obras e as tornava tão perfeitas, descobri que o mistério não estava no conteúdo em si, mas na forma com que foram escritas. O segredo era o éter na mente dos autores.

Quando John terminou, permaneceu me olhando, triunfal. Durante sua fala, Dona Mama trouxera mais algumas cervejas, que bebemos quase sem perceber. Confesso que fiquei muito impressionado com aquilo tudo. Era uma história fantástica.

Como a pausa no relato se estendeu demais, percebi que tinha acabado. Resolvi quebrar silêncio:

- Meu caro John Stephen Highway, que aventura fabulosa você viveu!

- Ainda vivo! Não terminei de escrever meu livro.

- Mas, diga, o que fez depois das descobertas?

- Desde então, passei a imitar os autores. Ando sempre com o meu próprio éter. Nunca se sabe quando vai vir a inspiração para a escrita... Veja – colocou a maleta sobre a mesa e abriu-a.

- Isso tudo é éter?! – perguntei espantado.

- Sim, senhor. E do melhor. Se o processo de Druon e Lucas foi esse, o meu não poderia ser diferente – fechou a mala.

- Você usa muito isso?

- Sempre!

- Certo... Deixe-me perguntar uma coisa que não entendi: os tais dos papiros e pergaminhos não deviam estar escritos numa língua muito comum, não?

- Filipo, não só aquela, mas muitas outras línguas tive que aprender para conseguir aprofundar minhas pesquisas. Por que acha que estou há dez anos nisso? E, talvez, fique até mais dez, ou vinte. Quem sabe...

- E como você pode ter certeza que Druon escreveu seu livro sobre os efeitos do éter?

- Está brincando?! Um dos personagens do livro é um pônei que fala! Quer prova maior que essa?!

- Tudo bem, tudo bem. Outra coisa que me intriga, John, é o porquê dessas duas obras e não outras. Ainda não me convenci do motivo de seu fascínio.

- Diga-me um livro que admira muito.

- Vejamos... Há vários... Mas, um que nunca canso de ler é A Metamorfose.

- Pois bem, o que tanto te atrai nessa obra, ou em qualquer outra de Kafka?

- Acho que a maneira como ele escreve... a criatividade... não sei ao certo...

- E é exatamente isso que te respondo, meu amigo. O porquê das duas obras? Não sei ao certo. Só sei que são elas que me fazem querer escrever e criar a minha obra perfeita.

- Você está certo. E como vai a obra perfeita? Já tem alguma coisa escrita?

- Na verdade, estou quase terminando. Quer conhecer a primeira frase?

- Ah, sim! Gostaria muito.

Nesse instante, John tirou seu chapéu e juntou as mãos sobre a mesa. Com voz profética, lançou as seguintes palavras:

Todo conhecimento é possível de ser alcançado, basta que o tempo o permita.

- E então? – olhou-me sério.

- É uma grande frase. Perfeita para uma grande obra.

- Sim, meu amigo, uma grande frase. E será a maior obra de todos os tempos, com certeza! Agora, com sua licença, preciso caminhar um pouco – falou, levantando-se.

- Mas, a conversa está boa...

- Preciso cuidar, que o tempo trota a toda ligeireza...

- Já li isso em algum lugar... – falei, vasculhando a memória.

- Adeus, caro Filipo. Só tenho um pedido a lhe fazer antes de ir – disse, aproximando os bigodes de meu ouvido e pegando seu chapéu – Por favor, não escreva nada do que lhe contei hoje. Não se esqueça que um de meus ofícios é justiceiro... Eu ficaria muito triste se algum de meus amigos do Vaticano ou o próprio Maurice Druon fossem incomodados – falou baixo e com um leve sorriso.

- Fique tranqüilo, John Stephen Highway. Com sua história e seu nome memoráveis, este dia não se apagará de minha mente. E seu pedido, com certeza, será sempre lembrado. Nossa prosa foi muito agradável, espero um dia poder repeti-la.

- Quem sabe, caro Filipo... Quem sabe... – dirigiu-se à saída dando um último aceno.

Depois da despedida, fiquei conversando com Dona Mama para descobrir um pouco mais sobre John. A mulher nunca o vira antes. Reflexivo, paguei a conta (incluindo a dele) e voltei para a estrada.

***

Há um ano, acabei descobrindo que John Stephen Highway não era exatamente quem dizia. Encontrei numa loja de livros usados um exemplar de A Menina do Pé Vermelho, mas quem o escreveu foi um antropólogo catarinense chamado Félix Petrus. Ao lê-lo, encontrei John Stephen Highway apenas como um dos personagens do livro. Há seis meses, foi anunciado o lançamento do romance A Minha Obra Perfeita, também de Félix Petrus. A primeira frase do livro era exatamente como a que o escritor-cowboy-justiceiro me mostrou. É quase certo de que era o próprio Petrus naquele dia, são muitas evidências. Contudo, nunca saberei, pois há poucos dias o autor morreu de parada respiratória – alegaram como motivo o uso prolongado de substâncias entorpecentes, em maior quantidade, o éter. Seu último livro, A Minha Obra Perfeita, é sucesso de crítica e público. Está sendo traduzido para outras línguas. Jornais de vários países já anunciaram o grande lançamento: A maior obra de todos os tempos; A revolução literária; O livro que faltava à humanidade...

Sendo escritor, não pude resistir em lhe contar tudo isto. E com as evidências da morte de John (Félix Pétrus?), resolvi arriscar. Confesso que inseri um pouco da história naquele meu romance (só inspirações, para não quebrar totalmente minha promessa). Mas, ainda não o publiquei. Inclusive, resolvi alterar o título. Como era de se esperar, a alteração mudou quase que completamente o conteúdo – acredito que para melhor. Agora, meu livro se chama O Justiceiro de Bigode Espiral. Pretendo lançá-lo ano que vem. Com certeza, será minha obra perfeita.


Nota do autor: apesar da história conter alguns

nomes de obras e autores reais, os fatos

relacionados a eles são inteiramente fictícios.

2 comentários:

Denis Moura disse...

Excelente este seu conto, Carlinhos.

O realismo e naturalidade da estória me fez com que eu conferisse no Google se o tal "Félix Petrus" ou as obras "A Menina do Pé Vermelho" e "A Minha Obra Perfeita" existiam de fato.

O fato do narrador falar como escritor com detalhes sobre o mundo da escrita, empresta verossimilhança ao enredo.
Muito realista e contemporâneo o texto, apesar de parecer insólito/incomum. Considero-o um realismo fantástico muito bom de ser lido. Prendeu minha atenção do começo ao fim, provocando-me comichões de curiosidade durante a leitura.

Abraços literários,

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__________________
Denis Moura de Lima
"Feito de bits, links e teia
Pra que não me desmaterialize
Me clique, me blogue e me leia!"
http://denismoura.blogspot.com

"Que venha a democracia direta eletrônica e o povão, via Internet,
Celular ou TVDigital, assine leis certificadas digitalmente
e as realizem pela força das ações articuladas no mundo virtual para o real."

Carlinhos disse...

Não gosto de deixar comentários sem resposta. Estou um pouco atrasado, mas tinha me esquecido deste.

Denis, obrigado pela visita!
Agradeço seu incentivo e fico muito feliz por ter gostado do texto.

O Realismo Mágico é um gênero que me fascina. Creio ser o gênero que mais me atrai. Dentro desse mundo onde a relidade e o fantástico se fundem, é possível criar-se histórias maravilhosas... É por este mar que estou seguindo...