terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

MEU PRIMEIRO LIVRO

Boons dias!

Para os que ainda não sabem, eis a novidade: estou com meu primeiro livro à venda.
É uma produção independente (leia-se: eu mesmo escrevi, editei, revisei, diagramei, ilustrei a capa, fiz o design... só a impressão da capa ficou a cargo da gráfica). Trata-se de um livreto de contos com 32 páginas, formato brochura, tamanho A5. As histórias inclusas são:


A PEDRA DO OLHO DIVINO
A IGREJA VERDADEIRA
O JUSTICEIRO DE BIGODE ESPIRAL


Muitas pessoas já adquiriram o livro. Se você ainda não tem o seu e quiser adquirir, basta me enviar um e-mail em carloseducador@hotmail.com ou deixar um comentário aqui mesmo nesta postagem.

Preço do livro: R$ 5,00 (incluindo taxa de envio pelo correio). Este valor é muito mais para cobrir os gastos do que para lucrar qualquer coisa. Àqueles que comprarem pessoalmente, posso fazer um preço ainda mais barato (como já disse, minha intenção é divulgar).

Desde já, agradeço muito aos que me ajudarem na propagação de meus escritos.

Abraços!

E eis a capa do livro (impressa num papel diferenciado do miolo, para dar um charme):



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Malandro e a Princesa


imagem extraída do site http://baiaodetudo.blogspot.com


Uísque com gelo. Bebo, enquanto a observo no outro extremo do bar. Está linda: vestido justo, salto alto, cabelos soltos, batom intenso. Finge não me ver, mas pouco importa. Depois de semanas, acho até engraçado. Observo suas pernas feito um adolescente, desejando cada centímetro como se nunca as houvesse explorado. Cruzam-se e descruzam-se, infinitas, conhecedoras das fraquezas deste malandro.

Brigamos há um mês. Desde então, nos fazemos de desconhecidos. Meu amigo, Uísque, diz que eu não devia tê-la maltratado. E dou-lhe razão enquanto a contemplo. Os goles no Martini realçam seus lábios carnudos, convidando-me a reencontrá-los. Ela sabe que a admiro, e provoca. Tento disfarçar o olhar e ouço uma voz:

– Que belo malandro você me saiu! Deixar sua princesa por aí, às moscas? – mas, não é ela quem fala, é Uísque.

As luzes fracas esboçam uma silhueta de Tristeza no chão. Palavras dispersas me vêm aos ouvidos:

– Malandrão... noites... bobagem...

Penso ser Uísque novamente. Chacoalho a cabeça, mando-o se calar. No entanto, as palavras continuam. Não havia percebido: é Tristeza já ao meu lado. Tento ignorá-la, mas insiste:

– E aí, malandrão... Quantas noites mais nesta bobagem? – debocha.

– Não quero pensar nisto.

– Então, por que está aqui? Você sabe que ela sempre vem.

– E quem disse que estou aqui por causa dela?

– Tudo bem, não falo mais nada. Estou saindo.

– Não, não, fique! Se ela te ver ao meu lado, pode abrir o coração. E, na verdade, não consigo te deixar ir. Estou sozinho...

– Está sozinho porque é um idiota! Está na cara que ela te quer. Vai lá.

– Não tem jeito. É orgulhosa demais, eu conheço!

– Nem parece que é malandro... Vai lá! Você consegue dobrar a malvada. E olha ela com as pernas lá de novo. Descruzou... Cruzou... Está te chamando, rapaz!

– Você podia ir adiantar a conversa... Falar que é minha única companhia... Quando ela te ver, vai sentir compaixão. Diga que não agüento mais sofrer, que sem ela eu não vivo!

– E ela vai cair nessa?

– É a verdade! Ela é minha princesa. Só não consigo ir eu mesmo falar. Faça isso por mim. Diga que ela é tudo na minha vida.

– Vou, mas se a situação piorar, a culpa é sua, malandrão!

Tento reforçar minha amargura e olho o lado oposto do bar. Lá está minha princesa e suas pernas: divinas e distantes. A noite se estende e, após horas sem rumo, Tristeza acaba achando uma abertura. Na verdade, uma abertura concedida por um olhar disfarçado, seguido por sorrisos de compaixão.

– Acho que já posso ir embora. Vou deixá-los mais à vontade... – ouço Tristeza dizer sem ter certeza se a devo deixar ir, mas não consigo impedi-la.

Maravilhosa, minha musa se aproxima. Caminha imponente, majestosa. Sigo em sua direção sorrindo, com o coração batendo forte, os braços abertos. Uma lágrima se desfaz quando, de súbito, recebo o que creio ser o mais violento tapa que já levei. Em instantes, nossos lábios colam-se libertando todo o fogo do desejo reprimido. Entre beijos e carícias infinitas, ela repete-me o alerta que tanto já ouvi:

– Se você me fizer chorar de novo, pode me esquecer, seu cafajeste!

– Nunca mais, princesa. Chega de saudade!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

2009 - sorria e aproveite o momento!

imagem extraída do site http://www.jucinews.com


2009 já começou?! Para muitos, sim. A mim, creio que está começando só agora. Demoro para entrar no ritmo das coisas...

Nossa! Cabeça fervilhando, muitos e muitos projetos, idéias, coisas na mente... Vida, família, minha mulher, nosso filho (ou filha), escrever, escrever mais, textos, oficina literária, SAMIZDAT, Oficina Editora, livro interativo (em breve), histórias e mais histórias, roteiros, pós-graduação, arte, pintar, desenhar, dar aulas, ler, ler mais, ler todos os livros que não-lidos de minha humilde biblioteca, novo acordo ortográfico (ainda não li), site cultural, Yokiko (aguardem), dinheiro (leite e fralda não são de graça), casa, estudos, blog, novos blogs, ganhar grana com a internet (dizem que é possível...), concursos literários, curta-metragens, idéias, idéias... fervilham... preocupam... me puxam...

No início de 2008, disse que ele seria "o ano". E, sem dúvida, foi. Muitas realizações, novidades, conquistas, alegrias - Deus existe (eu sempre soube) e está comigo, que Ele então seja louvado, aleluias!

E 2009? Será diferente? É claro que não! 2009 será também "o ano", ou mais que "o ano": o "re-ano!"

Cabeça fervilha...

Sim, 2009 começa. Maravilha de 2009! Sinto-me mais! E não porque entramos em 2009 - poderia ser 2019 ou até 3009! -, mas porque é o momento de me sentir mais, e não vou deixar o momento passar. Amo o momento, amo minha mulher (maravilhosa Débora), amo nosso baby, amo Deus, amo minha família, amo Literatura, as artes, a vida!

Sim, sim, sim, 2009 começou para mim, e até rimar eu consigo, meu amigo!

Que meus escritos possam atingir os leitores e agregar positividade a eles, a vocês, a mim mesmo. É o que espero deste estupendo ano de novidades e fofocas a mil... Quer saber mais uma? Gosta de uma fofoca? Então, aí vai: meu primeiro romance está no forno. Aos poucos se construindo, como deve ser... Este é o momento, povo de meu Deus - aliás, nosso Deus -, aproveitem-no (o momento e Deus também).

A vida é curta! Você só vai conhecer um único 2009 (acho), então, aproveite o momento. Insisto: APROVEITE O MOMENTO! E que o momento perdure sempre. Assim seja, amém.

Abraços-cadabros!

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Resenha: "A Estrada", de Cormac McCarthy

Caso tivesse que ser escolhida uma cor para resumir o romance “A Estrada”, de Cormac McCarthy, ela seria cinza. O cinza paira em cada trecho da obra, seja de maneira literal ou metafórica. “Noites escuras para além da escuridão e cada um dos dias mais cinzento do que o anterior” – eis a segunda frase do livro, que nos é oferecida como uma profecia anunciando o conteúdo perturbador de suas páginas. O cinza retratado é o das desesperanças, das tristezas da alma, mas que, por mais intenso que seja, ainda deixa espaço para um pequeno arco-íris multicolorido que é o impulso para continuar caminhando.

A história relata a travessia de um homem e seu filho por uma estrada devastada. Os dois são sobreviventes de uma catástrofe que transforma o mundo numa terra sem leis, onde manter-se vivo é a única regra. O homem acredita que no final da estrada, chegando ao litoral, encontrará outros sobreviventes, e, juntos, poderão se ajudar na construção de um novo começo. Contudo, a jornada é muito mais árdua do que podia imaginar, e o que ele e seu filho encontram pelo caminho leva-os a se questionarem: para que continuar a caminhada?

Os dois seguem empurrando um carrinho de supermercado com seus poucos pertences – alguns restos de alimentos, cobertores para se protegerem do inverno desolador e um revólver de segurança contra os nômades assassinos. O amor e cuidado um com o outro é a única coisa que os faz seguir adiante.

Vencedora do Prêmio Pulitzer 2007, esta obra traz a emocionante história dessa jornada de pai e filho em busca de um fio de esperança. Para isso, o autor nos brinda com diálogos comoventes e silêncios que dizem muito. A forma como McCarthy escreve, de início, traz estranhamento e até certa monotonia, mas, no decorrer da narrativa, fica evidente a necessidade disso – é preciso detalhar as imagens, dizer que tudo é cinza, um mundo de cinzas que não se acaba. Também a ausência do uso de travessão, em certos pontos, dificulta na identificação dos diálogos entre pai e filho. Contudo, essa não identificação clara acaba reforçando a união dos dois, como dizendo que são um só.

Uma obra profunda, para se apreciar com paciência e alma aberta. Aos que se permitirem, será uma bela experiência de leitura.

“A Estrada”, de Cormac McCarthy – Editora Alfaguara/Objetiva, 2007.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entrevista com Henry Alfred Bugalho

Galera, li uma entrevista muito boa com escritor/filósofo/empreendedor Henry Alfred Bugalho.

O Henry é o coordernador de alguns projetos literários que participo. Atualmente, mora em Nova York e, dentre seus trabalhos de mais sucesso, está o Guia Nova York para Mãos-de-vaca.

Na entrevista, são abordados temas muito interessantes para quem curte literatura e internet: criação de blogs, a escrita na contempaneidade, a revolução cultural da internet, publicações independentes, direitos autorais, a leitura no Brasil, entre outros.

Está imperdível!

Eis o link:

http://comunicatudo.blogspot.com/2008/12/entrevista-com-henry-alfred-bugalho.html

Abraços,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Premiação do conto DUAS MULHERES, DUAS ESTRADAS

Venho informar mais uma alegria que tive neste ano!

Meu conto DUAS MULHERES, DUAS ESTRADAS foi classificado em segundo lugar na categoria local do Concurso Literárido do Conselho Comunitário de São Paulo.

A premiação e entrega de certificados ocorrerá na próxima sexta-feira, 05/11, às 20 horas, no Auditório da Biblioteca Temática em Contos de Fadas "Hans Cristian Andersen", na av. Celso Garcia, 4142 - Tatuapé - São Paulo.

Quem quiser comparecer, está mais que convidado.

Para quem quiser conhecer o texto premiado, segue logo abaixo. Abraços!



DUAS MULHERES, DUAS ESTRADAS



Dizia-me haver meses desde que abandonara seu passado: casa, família, emprego, tudo. Seu único desejo era que a estrada continuasse eterna à sua frente. Quando a encontrei, naquela rodovia interestadual, ela trazia apenas uma mochila às costas. Eu no carro, ela a pé: duas mulheres em busca de qualquer coisa que não tínhamos. Diminuí a velocidade do automóvel e a acompanhei. Tentei ser gentil:

– Segue para onde, colega?

– Sigo. Simplesmente, sigo.

– Esta estrada é bem longa... Quer carona?

– Quanto mais longa, melhor – fez uma pausa e contemplou a paisagem. – Obrigada, mas, continuo a pé. Quero sentir melhor os ares destas bandas.

– Certeza? A mochila não está pesada?

– Não tenho muita coisa aqui. Só trouxe o que realmente me faria falta da antiga vida. E ainda sobrou bastante espaço – disse, enquanto sacudia a bolsa.

Insisti no diálogo, até que se tornou uma conversa agradável. Em certo ponto, ela parou de andar e eu desci do carro. Acho que ela não confiava em mim, mas, como eu não era um homem, pelo menos não teve medo de conversar. Ficamos sentadas à beira da estrada, e ela começou a contar-me do porquê de estar naquela vida errante, do abandono do passado, da busca por estradas sem fim.

– A vida finge ser gentil conosco – dizia-me –, finge nos fazer felizes, até acreditarmos que o mundo está sempre sorrindo para nós.

– E não é assim que acontece? – perguntei.

– A vida é uma farsa! Quando achar que ela está rindo para você, cuidado, pois ela pode estar rindo de você. E, normalmente, é isso o que acontece. Foi desse jeito comigo.

– Também me sinto assim às vezes. Por isso estou na estrada de novo. Mas, pretendo voltar à minha vida. Abandonar tudo... Isso não é fácil... É quase loucura.

– Loucura é descobrir que esse tudo de que você fala não passa de um castelo de ilusões, um teatro de máscaras, uma comédia grega. E o pior é quando você descobre que é o palhaço da vez. Riem! Riem da sua cara sem piedade, sem se darem conta de estarem te matando, te fazendo menos que lixo! Isso é a realidade, querida! Esse é o meu tudo que abandonei.

– É... a vida nem sempre é como queremos. – falei, reflexiva. – Mas, sempre há o que se fazer. Sempre há uma nova estrada para se seguir.

– E esta aqui é a minha! – disse, e então, se levantou.

– Mas, toda estrada, um dia, se acaba.

– Se esta se acabar, terão outras. E o que me resta de vida será pouco para percorrer todas estradas deste mundo.

Ajeitou a mochila às costas, como quem se prepara para recomeçar uma árdua trilha. Eu queria continuar a conversa.

– Será que não há nada por que valha a pena voltar? – perguntei, ao mesmo tempo questionando a ela e a mim mesma.

– Se quiser voltar para sua vida debochada, volte. Eu sigo por aqui, que meu mundo, agora, é o caminho por onde piso.

Eu estava curiosa. Arrisquei perguntar:

– Mas, o que, afinal, te aconteceu?

Ela baixou a cabeça e ficou contemplando os próprios pés por alguns instantes. Como demorava a se mover, resolvi me aproximar. Quando toquei seu ombro, ela desabou. Em reflexo, recuei, assustada, enquanto que ela abraçava a mochila sobre o peito e chorava compulsivamente.

Fiquei sem saber o que fazer. Pedi que se acalmasse, disse-lhe que estava tudo bem, que eu não mais a incomodaria. De repente, gritou:

– Cala a boca! Você não sabe de nada!

Levantou-se, e seu choro se misturou a uma explosão de ódio. Comecei a ficar com medo.

– Sabe por que riram de mim? – inquiriu-me, sem deixar que eu respondesse. – Um tombo! Tropecei no meu próprio pé e caí, como uma criancinha atrapalhada aprendendo a andar.

Diante da confissão, não consegui deixar de imaginar a cena. E o engraçado não era nem tanto o tombo em si, mas o fato de ela ter abandonado tudo por isso. Fugir por conta de um tombo? Comecei a achar que estava lidando com uma louca. Dei um sorriso torto, elevando apenas um dos cantos da boca, quase como uma careta de estranhamento – muito mais pela perplexidade em que me encontrava do que pela graça da situação.

– Isso! Seja mais um a rir de mim! E que tal rir disto aqui? – gritou e abriu sua mochila. O que tirou de lá me deixou ainda mais confusa e assustada.

– Meu Deus! – exclamei. – O que é isso?

– Ah, você não sabia deste detalhe? Assim como todos que riram de mim, você também não sabia que eu levava ele no meu colo. O meu bebê, meu filho!

Vi aquilo e senti nojo. Um corpo minúsculo, enrugado, a pele escura, como que cheia de hematomas, os pequeninos membros retorcidos. Se o que eu via já fora um bebê, naquele momento não passava de um feto mal formado em decomposição, talvez um bicho morto já apodrecendo.

– Foi um acidente! – começou a se explicar, enquanto ninava o que dizia ser seu filho. – Eu caí por cima do pobrezinho. Tão frágil... Tão pequeno... Eu o matei! – gritou. – Mas, agora, eu cuido bem de você, não é, meu anjinho – falava com carinho, olhando-o.

– Meu Deus! Você é louca... Louca... – eu falava, me enroscando nas palavras e recuando em direção ao carro.

– Você é só mais uma que ri de mim, sua vagabunda! Você e o resto do mundo! Nem aqui, no meio do nada, eu me livro da hipocrisia de vocês. Mas, eu estou cansada disso! Cansada! – berrou com tanta força que pude ver saliva saltando de sua boca.

Eu já estava na porta do carro quando ela enfiou a mão novamente na mochila. Tirou um revólver e apontou em minha direção. Sem saber ao certo como, já me encontrava abaixada atrás do volante tentando ligar o carro.

– Isso mesmo, vá embora! – ela gritava. – Volte para sua vidinha! Hoje, riem de mim, amanhã, será de você!

Assim que o carro funcionou, acelerei sem olhar o que havia pelo caminho. Imaginando que a mulher estava bem para trás, arrisquei levantar a cabeça. O carro já quase ia fora da estrada. Trouxe-o de volta e continuei acelerando. Quando olhei pelo retrovisor, ouvi o disparo.

A mulher caiu com seu filho ao colo. Dessa vez, teve cuidado para não cair sobre ele. E, dessa vez, ninguém riu.

Não tive coragem para voltar. Só fui parar quando o primeiro posto policial apareceu. Contei a história enquanto o choro me dominava. Depois de tudo, desisti de viajar em busca do que eu não tinha. Naquele momento, meu único conforto era saber que havia um lar ao qual eu podia retornar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Audiobook de Oficina E-TL




Galera, venho comunicar a publicação do Audiobook "Coletânea Oficina de E-TL 2008".

A Oficina E-TL (Oficina de Escritores e Teoria Literária) é um grupo no qual participo. Nossas atividades são inteiramente voltadas para o desenvolvimento da escrita e criação de projetos literários. Esse Audiobook é o resultado de um de nossos projetos.

No livro, são narradas diversas histórias. Dentre elas, há "Lucas, o Menino Binário", de minha autoria.

Eis o conteúdo do livro:

1 - "Vovô Caneco", de Alian Moroz
2 - "O Menino Binário", de Carlos Barros
3 - "Coleção de Botões", de Giselle Sato
4 - "Noite Estrelada", de Guilherme Rodrigues
5 - "A Vingança de Bento Julião", de Henry Alfred Bugalho
6 - "Os Ratos", de Joaquim Bispo
7 - "Esmeralda, Jade e Rubi", de José Espírito Santo
8 - "Fissuras Íntimas", de Leo Borges
9 - "A Palhinha", de Maria de Fátima Santos
10 - "A Última Revolta de Jesus Cristo", de Rogers Silva
11 - "Com Carinho, Isolda", de Volmar Camargo Junior

Para fazer o download dos textos, clique abaixo:



Abraço a todos! Até,

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

SONETO DA BOA MORTE

Gente, os frutos dos concursos começaram a aparecer!

Publico novamente este meu soneto por conta de sua classificação em 5º lugar no "III Varal de Poesias da UNIFAMMA" da cidade de Maringá, no Paraná. Estou muito feliz, pois é minha primeira menção em concursos literários! E fica meu agradecimento especial a todos que sempre me apoiaram!


SONETO DA BOA MORTE


A vida foi a mim mais que suprema,
Se fez mais do que bela, mais que intensa.
E nessa tarda idade o tolo pensa
Que estou a caducar sobre tal tema.

Não julgue, ó sábio tolo, que o emblema
Que levas em teu peito te dispensa
Da vida, aos desamores, tão propensa;
Da marca, em teu espírito, da algema.

Contudo, desamores vêm de amores
E, saibas tu, que muitos tive eu,
Amando plenamente, sem favores.

Vai, liberta-te! Siga o exemplo meu!
E poupe da tua morte as fortes dores
De alguém que chega ao fim e não viveu.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Concursos

Gente, venho me justificar por não estar postando tantos mais textos aqui.
É que comecei a participar de concursos literários e, por isso, todas poesias e textos novos que tenho, estou mandando para os concursos.
Como a maioria deles especifica que os obras concorrentes devem ser inéditas, não posso publicá-las, nem na internet. Portanto, fico com os textos "presos" até saírem os resultados...
Mas este problema não durará muito. Só acontece agora porque ainda estou começando nesses concursos. Conforme saírem os resultados, vou postando os textos e poesias por aqui e tudo volta ao normal...
E espero que dessas tentativas eu consiga pelo menos umas menções honrosa por aí... Desejem-me sorte (e, principalmente, criatividade).
Abraço a todos!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Freddy, o Elefante

fonte da imagem http://elefantenoinfinitovoa.blogspot.com


Não era a primeira vez que o elefante Freddy ia à Casa da Árvore Drink’s. Sempre que brigava com a esposa, ia à boate para relaxar. Desta vez, chegou enfurecido.

– Aquela vaca não dá valor ao marido que tem! – disse ao balconista.

– De novo a esposa, Freddy?

– Trabalho o dia inteiro para chegar em casa e ouvir aquela tetas caídas buzinar nos meus ouvidos! Tenha dó, meu amigo!

– As vacas são assim, companheiro. Passam a vida pastando, quietinhas. Quando casam... querem falar tudo o que não falaram. E quem sofre são os maridos! Mas, veja pelo lado bom, ao menos você tem quatro tetas para usufruir – disse rindo, enquanto enchia o copo do elefante.

– Não me venha com suas ironias – virou o copo numa única golada.

– Elefante e vaca não combinam, Freddy. Já te disse isso.

– Deixa de bobagem e faça seu serviço – apontou para o copo vazio. – E a Tutinha, está aí hoje?

– Sim, senhor – falou e riu, maliciosamente, o balconista. – Quer que eu a chame?

– Não, não. Só avise que estou por aqui e que vou querer serviço completo hoje.

Freddy pegou seu copo e saiu vagando à procura dos amigos. O balconista até que era um bom companheiro, mas o elefante não gostava muito dos homens. Para ele, humanos só serviam para uma coisa: sexo.

Andou pelo grande salão observando a todos. A Casa da Árvore sempre lhe pareceu um lugar misterioso e acolhedor. Adorava estar ali, na penumbra daquele ambiente. Tudo lhe era agradável: os vaga-lumes responsáveis pela pouca iluminação, os animais freqüentadores, as mulheres bailarinas, a banda de jacarés, as garçonetes avestruzes. Ali, Freddy sentia-se em casa.

Dentre os presentes, o elefante não viu nenhum que trouxesse uma verdadeira conversa de amigos. Voltou ao balcão.

– Mudei de idéia. Fala para a Tutinha que estou esperando no quarto de sempre – disse Freddy. – E peça para levar tudo o que tem direito – deu um sorriso de satisfação e virou-lhe as costas.

Atrás do balcão, o homem, intrigado, via Freddy afastar-se e tinha a impressão de que suas grandes nádegas rebolavam mais do que o normal. Depois da intrigante cena, mandou chamar Tutinha, a prostituta preferida do elefante.

***

– Isso, assim... – disse Freddy, ofegante.

– Você gosta? – perguntou a mulher.

– Ai... muito... Na orelhinha, agora, minha Tutinha. Na orelhinha...

– Vou morder ela toda, meu gostoso!

– Morde! Morde, sim! Aí, isso, bem aí... Ai... Agora a tromba, a tromba, meu anjo...

– Hum... pode deixar – falou Tutinha, com volúpia.

Segurou a tromba com firmeza e, enquanto beijava-a toda, dizia, intercalando beijinhos e palavras:

– Sabe o que eu mais gosto nela? São esses pelinhos. É tão sensual... – a moça ia e vinha, falando e beijando.

– Ela é todinha sua, todinha!

– E essa sua bundona gostosa, de quem é? – perguntou Tutinha, fingindo-se carrasca.

– Sua, sua! De mais ninguém! – respondeu Freddy, bancando-se indefeso. – Morde ela, bate nela! Vai, forte!

Tutinha mordia e dava palmadas violentas, mas o elefante, ainda vestido, parecia não sentir muito. A moça pegou uma espécie de raquete de madeira. Começou a golpear-lhe as nádegas.

– Toma, seu gordinho safado! É disso que você gosta, não é?

– Sim! Sim! Mais forte, benzinho, mais forte!

– Que tal se a gente tirar esta sua roupinha, agora, para ficar mais gostoso?

Freddy levantou-se extasiado da enorme cama “Big King Triple Size”. Iniciou uma dança com extrema desenvoltura. Ia fazer um streap-tease. Tutinha enconrajou-o, simulando, com a voz, as notas de uma música sensual.

O dançarino girava e pulava. A cada salto, o chão estremecia e Tutinha vibrava com “hipes" e “hurras”. Não demorou muito, Freddy, triunfante, apresentou-se de roupas íntimas: um conjunto de couro vermelho de calcinha e sutiã.

– Ah! Que menino sapeca! – brincou Tutinha. – Está lindo, lindo! Desta vez você caprichou, meu fofinho. Acho até que vou te presentear com um brinquedinho novo que arrumei...

– E o que é, minha Tututi? – perguntou, ansioso, o elefante.

A moça foi até o armário e voltou com um objeto fálico, grande e brilhante. Freddy emitiu um ruído estranho, como quem está sem ar. Falou com voz aguda:

– Menina! Que que é isso?

– Algo muito especial. É mágico...

– Mágico? Como assim? – entortou a cara Freddy.

– Preste bem atenção.

A moça segurou o objeto pela base e falou um “ai” bem prolongado. Na medida em que o “ai” se estendia, também crescia o objeto na mão de Tutinha. Depois falou um “ui”, também prolongado, que causou o efeito contrário, fazendo o objeto voltar ao seu tamanho normal.

– Minha Mãe-Natureza! Onde você arrumou isto? – perguntou, espantado, Freddy.

– Um mágico nunca revela seus segredos, meu docinho.

***

Quando a vaca louca entrou na Casa da Árvore, não teve quem a segurasse. Só se ouviu alguém gritar: “É a mulher do Freddy!”

– A senhora não pode entrar assim! – repreendeu-a o balconista.

– Vem me impedir, seu homem-estrume. Eu já sei de tudo! Vou pegar aquele elefante bicha agora! – vociferou a vaca.

Em poucos instantes, já estava diante da porta do quarto. Ouviu a voz do marido em longos gemidos:

– Ai, ui, ai, ui, ai, ui...

Enfurecida, levou a porta abaixo feito o mais violento dos touros.

– Sua bicha louca dos infernos! Eu vou te matar! – e mordeu com toda força a tromba do marido.

– Ai! – Freddy deu um berro alto e estendido.

Não houve tempo de salvar o elefante. O objeto mágico cresceu de tal forma que penetrou fundo no bicho, rasgando entranhas e órgãos.

Tutinha gritou em desespero. Fugiu para um canto, apavorada.

A esposa de Freddy viu o sangue escorrer da boca e da tromba do marido. Não entendeu bem o que aconteceu, mas notou que estava morto.

– É isso que você merece por me enganar todos esses anos! Como pude me casar com um elefante gay? Devia é ter seguido os conselhos de minha mãe e arrumado um touro mesmo! Mais vale um touro chifrudo do que um forte elefante gay! Adeus, seu infeliz...

E, feito vaca louca como entrou, virou as costas e foi embora. Nunca mais a viram.